segunda-feira, 25 de novembro de 2019

Camilo Santana e a Região Metropolitana de Fortaleza

O governador Camilo Santana (PT) deverá ser a principal força política na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), nas eleições municipais de 2020. Camilo Santana não terá um posicionamento de coadjuvante como teve nos pleitos eleitorais das cidades cearenses, no ano de 2016. A principal liderança lulista-petista da política local, sem dúvida vai construir o seu bloco político-eleitoral-administrativo a partir do Partido dos Trabalhadores e do Movimento Democrático Brasileiro, com várias candidaturas nos principais centros urbanos do Estado do Ceará.

O ex-presidente Lula (PT) tentará derrotar o grupo do ex-ministro Ciro Gomes (PDT), no pleito eleitoral de Fortaleza do próximo ano. Lula não esconde a sua estratégia ao comando nacional do Partido dos Trabalhadores, assim como deixa bem claro aos pedetistas: Carlos Lupi, Ciro Gomes e Cid Gomes. O governador Camilo Santana (PT) vai seguir a orientação da maior liderança nacional de sua agremiação partidária, em relação ao pleito eleitoral da capital cearense. O camilismo-lulista precisa manter o capital político conquistado no segundo turno do pleito eleitoral presidencial de 2018, entre os fortalezenses que votaram no candidato Lula-Fernando Haddad.

O ex-ministro Ciro Gomes mantém retórica de ataques ao ex-presidente Lula e ao Partido dos Trabalhadores desde o segundo turno do pleito eleitoral de 2018. Ciro Gomes já provocou o distanciamento do PDT e do PT no âmbito nacional e estadual. Os pedetistas e petistas farão apenas alianças pontuais, com certeza bem menos parcerias partidárias do que nas eleições municipais de 2012 e 2016. O cirismo-robertista já tem o seu aliado preferencial no próximo ano, em Fortaleza: o senador Tasso Jereissati.

O senador Tasso Jereissati e o ministro Ciro Gomes irão reforçar os seus receptivos grupos políticos para enfrentar o bloco político do governador Camilo Santana (PT) e do ex-senador Eunício de Oliveira (MDB), nos principais municípios cearenses. O principal palco de duelo entre esses blocos é a Região Metropolitana de Fortaleza. O PSDB nacional deverá apoiar a pré-candidatura à prefeito de Fortaleza do deputado federal, Capitão Wagner (PROS), com aval do governador João Doria (SP), e ainda poderá levar o Democrata (DEM), para a coligação partidária oposicionista. O tassismo está sob o mandato do senador  Tasso Jereissati, com isso haverá transferência para o PDT ou Partido Socialista Brasileiro (PSB).

A direção nacional do Partido dos Trabalhadores deverá fazer a pré-indicação do candidato a prefeito de Fortaleza, nos primeiros dias do próximo ano (2020). A estratégia é sair na frente das pretensões do cirismo-robertista como principal adversário da frente partidária oposicionista (PROS-PODE-PSC) do pré-candidato Capitão Wagner. O ex-presidente Lula tomará a frente da iniciativa do lançamento da pré-candidatura petista-emedebista, em conjunto ao ex-senador Eunício de Oliveira, com o silêncio no primeiro momento do governador Camilo Santana.

O governador Camilo Santana tem três opções para lançar como candidato a prefeito de Fortaleza, no próximo ano: o ex-senador Eunício de Oliveira (MDB); o deputado estadual Elmano de Freitas (PT) e o deputado estadual Acrisio Senna (PT). O camilismo-lulista e o eunicismo-emedebista não têm nenhum interesse de fortalecer a deputada federal Luizianne Lins como a maior liderança cearense do ex-presidente Lula a partir da Prefeitura de Fortaleza, em janeiro de 2021. Luizianne Lins não seria obediente ao ex-senador Eunício de Oliveira e nem ao governador Camilo Santana, e talvez nem ao próprio ex-presidente Lula.

Os prefeituráveis petista-emedebistas (PT-MDB) deverão ser competitivos nos municípios da Região Metropolitana de Fortaleza. A principal candidatura é de Fortaleza, porém teremos candidaturas ancoradas na popularidade do governador Camilo Santana (PT), nas seguintes cidades da Grande Fortaleza: Eusébio, Caucaia, Maracanaú, Maranguape e outras. Camilo Santana não vai perder a onda lulista nordestina incentivada pelo Partido dos Trabalhadores e o ex-presidente Lula, nas eleições municipais de 2020.

Luiz Cláudio Ferreira Barbosa sociólogo e consultor político 

Fortaleza, 25 de Novembro de 2019



domingo, 17 de novembro de 2019

O Movimento Cívico Conservador Cearense: Pré-Bolsonarismo, Bolsonarismo, Neobolsonarismo e o Pós-Bolsonarismo

O Movimento Cívico Conservador Cearense (MCCC) surgiu como uma manifestação política-eleitoral no segundo turno do pleito de 2004, no município de Fortaleza. O motivo foi o acirramento dos discursos dos candidatos na questão de gênero e moralismo religioso. O atual vice-prefeito de Fortaleza, Moroni Bing Torgan, naquele período foi o responsável pela construção da primeira frente conservadora no seio da sociedade civil. MCCC era um movimento esporádico que somente surgia nos períodos eleitorais, como resposta a uma aliança entre os lulistas e o grupo Ferreira Gomes. O período pré-bolsonarista vai de 2004 até 2013. 

As manifestações das ruas de Fortaleza, ocorridas em 2013 contra a presidente Dilma Rousseff (PT) foram responsáveis pela organização dos movimentos conservadores a margem dos partidos e das lideranças locais. O sentimento antipetista nas classes médias fortalezenses tem um novo momento durante as manifestações populares no ano de 2015. O pleito eleitoral de 2016 na maior cidade do Estado do Ceará, já é responsável pelo realinhamento político-eleitoral do MCCC com a candidatura do Capitão Wagner, nas redes sociais, sem uma participação efetiva na estrutura de campanha do mesmo. A organização da pré-campanha presidencial do deputado federal, Jair Bolsonaro (PSC), sem dúvida pode ser o grande responsável pela entrada da Direita Ceará no Patriota (Ex-PEN) e logo em seguida no Partido Social Liberal (PSL). O período bolsonarista vai de 2013 até 2017.

O MCCC sempre foi a junção de indivíduos e de setores organizados da sociedade civil, com o sentimento antipetista, assim como também anti-cirista, em Fortaleza e no Ceará. A participação efetiva do MCCC nas instituições internas do PSL, já poderia ser considerado como uma questão de tempo. A eleição do deputado federal Jair Bolsonaro para a presidência da República, assim como o crescimento político-eleitoral do PSL, como o partido do governo era o cenário institucional perfeito. O Neobolsonarismo é o movimento da construção de uma nova maneira de administração pública do sistema presidencialista brasileiro. O sentimento anti-sistema do bolsonarismo desaparece no âmbito das políticas econômicas e das políticas administrativas, mas ainda é forte na relação do atual presidente, com o universo partidário. O MCCC é favorável à nova onda liberal na economia sob a liderança do ministro, Paulo Guedes, porém não é favorável ao radicalismo contra a classe política. O sentimento de responsabilidade com o bem público é presente no MCCC, com isso o Neobolsonarismo tem adeptos minoritários nos conservadores moderados cearenses. O período Neobolsonarista começou em 2018. 


A separação do bolsonarismo entre dois grupos, não é novidade na política brasileira: bolsonarismo autêntico e o bolsonarismo moderado. No período do presidente, José Sarney, a ala progressista peemedebista saiu do partido do governo. O nascimento do PSDB ocorreu como uma dissidência do PMDB no ano de 1989. No primeiro governo do presidente, Lula, os setores progressistas do Partido dos Trabalhadores fundaram o Partido Socialista e Liberdade, no ano de 2004, com isso a primeira dissidência no lulismo institucional. Os dois fatos históricos citados nesse parágrafo são quase idênticos, porém o presidente Jair Bolsonaro resolveu sair de sua agremiação partidária, com os setores mais fiéis no campo político ao seu projeto partidário: Aliança Pelo Brasil (APB). Jair Bolsonaro incentivou a dissidência na sua própria base aliada no Congresso. Isso é um novo fato histórico.

O bolsonarismo moderado ou bolsonarismo sem clã Bolsonaro é por natureza governista, pois mantém a responsabilidade política-administrativa, com as políticas públicas do atual Governo Federal, mas faz uma ruptura política, com o presidente Jair Bolsonaro. O Partido Social Liberal deverá ser por enquanto o veículo eleitoral do bolsonarismo moderado. No Congresso o Neobolsonarismo deverá ser aproximar do Novo 30 e do Podemos pró-Sérgio Moro, como força política-eleitoral talvez adversária do presidente Jair Bolsonaro, porém não será inimiga.

O Movimento Cívico Conservador Cearense deverá apoiar a candidatura do deputado federal, Capitão Wagner (PROS), a prefeito de Fortaleza, no próximo ano, em função da realidade local e do sentimento anti-robertista-cirista, que são bem acima da recente cisma partidária do grupo do presidente Jair Bolsonaro. O PSL secção cearense deverá fazer uma defesa das reformas estruturais do ministro da Economia, Paulo Guedes, como também fará uma aproximação com o Novo 30 do empresário Geraldo Luciano e dos setores organizados da sociedade civil de perfil ideológico liberal.

Luiz Cláudio Ferreira Barbosa sociólogo e consultor político 

Fortaleza, 17 de Novembro de 2019



segunda-feira, 11 de novembro de 2019

Paulo Guedes e os seus apoiadores informais no Ceará: Alexandre Pereira e Geraldo Luciano



O ministro da Economia, Paulo Guedes, após a aprovação da Reforma da Previdência no Congresso,  foi o responsável pelo surgimento da corrente governista guedista-bolsonarista. O atual Governo Federal tem três correntes internas: bolsonarismo-olavista, guedismo-bolsonarista e morismo -bolsonarista. A única corrente que possui diálogo aberto, com o Congresso ( Câmara e Senado) é a do superministro Paulo Guedes.

A PEC do novo Pacto Federativo é sem dúvida o plano administrativo-político mais ambicioso,  após a promulgação da Constituinte de 1988, na história recente do Brasil. Existe a necessidade urgente de reorganização das finanças públicas dos seus entes federativos: União, Estados e Municípios. O setor produtivo e o mercado financeiro são os grandes fiadores perante a sociedade civil do Plano Paulo Guedes de equilíbrio fiscal no setor público brasileiro. A maioria dos analistas econômicos da imprensa brasileira também defedem o pacote governista de finanças públicas. 

Há no primeiro escalão do Governo Federal três lideranças da corrente guedista-bolsonarista: ministro Paulo Guedes (Economia), ministra Tereza Cristina (Agricultura) e ministro Tarcísio Gomes (Infraestrutura). O triunvirato ministerial é responsável por uma boa parte dos dados positivos dos primeiros trezentos dias do governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL) à frente da União. Aos poucos nos estados começaram a surgir os defensores da Reforma Tributária e do novo Pacto Federativo.  Os guedistas são bolsonaristas moderados ou não bolsonaristas, porém são defensores dos princípios liberais nas políticas públicas das seguintes áreas: Econômica, Tributária e Administrativa. 

As classes sociais C, D e E já perderam há muito tempo o poder de consumo, assim como convivem com a precarização do mundo do trabalho. A cidadania plena é algo impensável para a grande maioria da população brasileira. O cidadão-contribuinte de baixa renda, entre zero até dois salários mínimos não tem noção dos preceitos liberais na área de finanças públicas, porém os mesmos são desejosos de melhorias dos serviços públicos essenciais: Saúde, Transporte Público e Educação. 

A classe média baixa ,com ganho salarial de dois até cinco salários mínimos, já tem nível educacional acima dos seus conterrâneos, que estão quase abaixo da linha da pobreza. O cidadão-contribuinte  que pertence a classe média já tem uma capacidade de compreensão do equilíbrio das finanças públicas e a diminuição da carga tributária, assim como já votaria num candidato de perfil liberal para o executivo, como maior exemplo temos os governadores eleitos nas regiões Sul e Sudeste, no pleito eleitoral de 2018; pois todos são adeptos da linha econômica liberal do ministro Paulo Guedes.

As classes sociais A e B há muito tempo são críticas dos impostos dos bens de consumos. O cidadão-contribuinte da classe social B, com média salarial de cinco até dez salários mínimos, já não consegue pagar o seu plano de saúde, assim como os juros altos do cartão de crédito. O setor educacional privado (Primário, Secundarista e Universitário) é todo direcionado a classe média alta, mas com sinal de evasão de alunos, nas suas instituições educacionais. O alto índice de desemprego entre os brasileiros de nível superior tem eco nas reivindicações dos setores sociais mais abastados da economia brasileira. 

A classe média tradicional fortalezense deverá apoiar a candidatura a prefeito de Fortaleza, com o discurso de reestruturação das finanças públicas. A diminuição do quadro de comissionados e terceirizados na próxima gestão é pauta política-eleitoral muito forte nos setores organizados da sociedade civil. A própria imprensa tradicional (Rádio, Jornal e Televisão) já faz essa pauta nos seus editoriais políticos e econômicos. O público apresenta tendência conservadora na área moral, porém defende mudanças liberais nas políticas públicas da Prefeitura de Fortaleza,  esse dado  foi comprovado  após o presidente Jair Bolsonaro (PSL) ter recebido 35% dos votos válidos no primeiro turno nas eleições de 2018, na capital cearense.


É preciso a compreensão de que a pauta do pacote econômico enviado pelo ministro, Paulo Guedes, ao Congresso Nacional, com certeza vai guiar o debate público, como aconteceu com a Reforma da Previdência. O Cidadania 23 (PPS) deverá iniciar uma série de debates internos ainda nesse final de ano sobre os principais pontos da Reforma Tributária e do novo Pacto Federativo. O empresário e presidente estadual do Cidadania 23, o secretário municipal Alexandre Pereira, terá grande oportunidade de expor a sua experiência como gestor público, assim como a necessidade de diminuição da burocracia nas estâncias administrativas públicas. O Centro Democrático Fortalezense (CDF) deverá ser fórum econômico e administrativo interno do Cidadania 23 secção cearense, porém aberta ao público.


A direção nacional do Novo 30 deverá apoiar quase na íntegra o projeto de reestruturação do setor público do Governo Federal. O ministro da Economia, Paulo Guedes, deverá usar a bancada dessa agremiação partidária de perfil ideológico liberal, como os principais defensores do novo Pacto Federativo e das outras reformas econômicas, nas principais comissões da Câmara. O empresário e filiado do Novo 30, Geraldo Luciano, deverá iniciar uma série de palestras e de simpósios de defesa da remodelação do setor público via o Congresso.

O Cidadania 23 e o Novo 30 têm grande oportunidade de atrair o eleitorado de perfil liberal, para as suas fileiras partidárias, nos próximos meses. É muito salutar essa concorrência local na defesa das três PECs do ministro da economia, Paulo Guedes, em tramitação no Congresso. Existe a  possibilidade de termos duas novas vias no campo político durante a pré-campanha eleitoral da sucessão da Prefeitura de Fortaleza, no próximo ano: Social Liberal (Cidadania 23) e Liberal (Novo 30).

O Partido Social Liberal (PSL) secção cearense ainda vai permanecer numa crise interna, nos próximos dias. O Democrata (DEM) ainda permanece no campo especulativo sobre o seu futuro na política local. O Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) caminha para uma rota de colisão política-eleitoral, com o presidente da República, assim como os tucanos cearenses que vão seguir a orientação do governador João Doria (SP). Os partidos (PP, PSD, MDB e outros) do Centrão no Congresso vão seguir o presidente da Câmara e do Senado, na discussão do pacote econômico, com isso as suas lideranças locais não deverão atuar livremente perante a opinião pública cearense. Os empresários Alexandre Pereira e  Geraldo Luciano são os apoiadores naturais e ao mesmo tempo informais do pacote administrativo-político do ministro da Economia, Paulo Guedes, em solo cearense.

Luiz Cláudio Ferreira Barbosa sociólogo e consultor político

Fortaleza, 11 de Novembro de 2019 


 

terça-feira, 29 de outubro de 2019

Jair Bolsonaro e o seu estilo de Governança Pública


O presidente Jair Bolsonaro (PSL) não adotou o figurino tradicional de chefe do executivo do Governo Federal. Jair Bolsonaro manteve o seu estilo tradicional de  líder de um grupo político familiar, com quase nenhuma ligação ao universo partidário. O núcleo político-administrativo é o clã Bolsonaro, com as suas virtudes e os seus defeitos. O presidente Jair Bolsonaro apenas introduziu novos atores políticos pela necessidade de ocupação de cargos chaves na administração pública da Esplanada dos Ministérios.

O eleitorado tradicional bolsonarista não é contra a participação dos familiares e dos agregados, como o núcleo político-administrativo do presidente da República. A  última eleição de Jair Bolsonaro como deputado federal carioca pelo Partido Social Cristão (PSC), no pleito eleitoral de 2014, sem dúvida foi o início dos preparativos da pré-campanha eleitoral para a presidência. A direção nacional da agremiação cristã (PSC), iria vetar a postulação de Jair Bolsonaro, por isso o núcleo familiar e os simpatizantes ou agregados multipartidários foram os responsáveis pela organização da campanha midiática e dos eventos nos grandes municípios brasileiros do futuro presidente da República. Os militares na ativa e os militares aposentados apenas  aderiram a campanha pré-eleitoral do Jair Bolsonaro, em função da grande perspectiva de vitória eleitoral. O bolsonarismo é um movimento cívico conservador de lideranças horizontais, mas sempre teve núcleo central: o clã Bolsonaro.

O presidente Jair Bolsonaro atraiu vários militares para os cargos de primeiro e segundo escalão do Governo Federal. A entrada dos civis é de acordo com as bancadas temáticas do Congresso ( Bala, Boi e Bíblia), na Esplanada dos Ministérios. Os ideólogos olavistas e a sua guerra cultural, é apenas estratégia política-eleitoral de manutenção do antipetismo, como política pública, em alguns Ministérios (Educação, Meio-Ambiente, Direitos Humanos). Jair Bolsonaro somente toma alguma decisão política-administrativa, quando faz consulta individual a cada filho: Flávio, Carlos e Eduardo.

O ex-presidente Michel Temer (2016-2018) no período de sua passagem no Palácio da Alvorada, adotou o presidencialismo de compadrio, no início de seu mandato, com os seus correligionários, assim como fez a ex-presidente Dilma Rousseff (2011-2016). O antecessor do atual presidente da República, já no auge de uma enorme crise institucional e moral, criou o semiparlamentarismo. O sistema semiparlamentarismo não estava previsto na Constituição de 1988, por isso era modelo político-administrativo de caráter informal. O chefe do executivo dividiu alguns dos seus poderes, com o presidente da Câmara e com o presidente do Senado. O estilo de autogestão da crise institucional temerista foi fracasso na área administrativa e na área política-eleitoral. 

O ministro da Economia, Paulo Guedes, é o responsável pela renovação do sistema presidencialista. Paulo Guedes virou o primeiro ministro informal ou chefe de governo informal. O superministro fez aliança estratégica com o mercado financeiro e com setores produtivos da indústria e comércio, sendo  o agronegócio brasileiro  seu principal braço político no Congresso. Pela primeira vez na história da Nova República (1985-2019) temos na área econômica uma política ultraliberal aos moldes da Escola de Chicago (EUA) e do Círculo de Viena (Áustria). É importante frisar o apoio de parte da opinião pública que é  favorável às reformas: Trabalhista (2017), Previdência (2019) e Tributária (2020).  O Congresso (Câmara e Senado) são reféns das pautas econômicas do Governo Federal e dos agentes econômicos do setor privado.

O presidente Jair Bolsonaro deverá em breve ter o controle do Partido Social Liberal. O bolsonarismo não tem interesse de ser ator político-eleitoral nômade até a véspera do pleito eleitoral de 2020, para a presidência da República. Jair Bolsonaro não faz qualquer ato público sem antes fazer o cálculo de impacto entre os formadores de opinião pública. A imprensa brasileira já compreendeu a enorme capacidade do atual chefe do executivo federal de não ser refém dos editoriais jornalísticos. A política brasileira não será a mesma após o último biênio (2018-2019).

Luiz Cláudio Ferreira Barbosa sociólogo e consultor político 

Fortaleza, 29 de Outubro de 2019 



quarta-feira, 9 de outubro de 2019

A Segunda Avaliação da Política Cearense e Política Fortalezense

O processo de reaproximação do ex-governador, Ciro Gomes (PDT), e do senador Tasso Jereissati (PSDB), já é fato consumado perante a opinião pública. Ciro Gomes e Tasso Jereissati tentam diminuir a lacuna entre os seus grupos políticos. O tassismo caminha para ser subgrupo do cirismo-cidista, porém sem a participação do PSDB secção cearense. A reedição da modernidade conservadora sem a presença ou auxílio do Governo Estadual, mas somente o pacto entre Tasso Jereissati e Ciro Gomes. 

O governador Camilo Santana (PT) vai manter a sua aliança no campo privado, com o senador Cid Gomes (PDT), pois no espaço público já há divórcio político-eleitoral entre o cirismo e o lulismo, na esfera local e na esfera nacional. Camilo Santana deverá apoiar a pré-candidatura petista à prefeitura de Fortaleza, com o apoio do ex-senador Eunício de Oliveira e do MDB, no pleito eleitoral de 2020. Cid Gomes tentará reconstruir a ponte política-eleitoral entre o PT e o PDT, nos principais municípios cearenses, nas eleições do próximo ano.

O ex-presidente Lula não defende a manutenção da aliança entre o seu partido (PT) e o grupo político do ex-governador Ciro Gomes (PDT), na política nacional, com o seu reflexo na política local (Ceará). O lulismo-camilista tem a sua força oriunda do controle político-administrativo do Governo do Estado do Ceará, com isso tentará impor a sua hegemonia perante ao cirismo-cidista. Não há condição de PDT e o PT não estarem em palanques diferentes, no pleito eleitoral de Fortaleza de 2020. 

O deputado federal, Capitão Wagner (PROS), mostra capacidade ímpar de fazer as alianças locais via as suas relações nacionais: Wilson Witzel (PSC), João Doria (PSDB) e ACM Neto (DEM). É notório o interesse de muita liderança da política nacional em derrotar o ex-governador, Ciro Gomes, e o Partido Democrático Trabalhista, no pleito eleitoral de Fortaleza. O governador do Rio de Janeiro, o ex-juiz Wilson Witzel, já colocou a sua agremiação partidária (PSC), como aliado de primeira ordem do quase prefeiturável Capitão Wagner (PROS), o mesmo caminho será feito pelo o atual governador paulista (João Doria), em apoio ao principal pré-candidato anti-cirista, no pleito eleitoral de Fortaleza. O prefeito de Salvador e presidente nacional do Democrata, ACM Neto, tem interesse de ter o deputado federal, Capitão Wagner, como o pré-candidato a prefeito da capital cearense, na sua agremiação partidária.

O deputado estadual do PSOL, o advogado Renato Roseno, deverá ser o principal representante da esquerda fortalezense, no pleito eleitoral do próximo ano. Renato Roseno foi candidato a prefeito de Fortaleza, em duas oportunidades, com boas votações: 6% (2008) e 12% (2012). O PSOL poderá ser o maior partido fortalezense na classe média e nos movimentos sociais, após o pleito eleitoral de 2020, na capital cearense. O deputado estadual Heitor Férrer (SD) deverá ser a melhor opção de candidato a vice-prefeito de Fortaleza, na chapa majoritária encabeçada pelo deputado federal Capitão Wagner (PROS), no próximo ano.

O deputado federal Célio Studart (PV) é pré-candidato a prefeito de Fortaleza. O diretório nacional do Verde já definiu como prioridade a pré-candidatura de Célio Studart ao cargo de chefe do executivo do maior município cearense. É muito provável a boa votação dessa agremiação partidária entre os eleitores fortalezenses de concepção ideológica pró-meio-ambiente no primeiro turno da sucessão do prefeito Roberto Cláudio (PDT), daqui a doze meses. 

O filiado do Novo 30, o empresário Geraldo Luciano, é sem dúvida a grande incógnita do pleito eleitoral de Fortaleza de 2020. O Novo 30 deverá substituir o PSL na preferência do eleitorado de tendência liberal na área econômica e dos costumes, nos principais bairros da maior cidade alencarina. A onda laranja poderá impulsionar nova terceira via, com forte impacto eleitoral na grande classe média de renda baixa de Fortaleza: dois salários até cinco salários mínimos? Sim!

O prefeito Roberto Cláudio (PDT) não deve tentar usar a estratégia de lançamento da pré-candidatura a sua própria sucessão na prefeitura de Fortaleza, bem especificamente no seu grupo político-administrativo; na véspera do início do pleito eleitoral. Roberto Cláudio somente pode evitar a vitória do quase prefeiturável, Capitão Wagner (PROS), no primeiro turno. A ida de algum pré-candidato pedetista ao segundo turno, não é certeza, em função da pré-candidatura petista-emedebista, com a pulverização de pré-candidatos na terceira via no eleitorado fortalezense. O provável posicionamento do Cidadania-PPS e do empresário, Alexandre Pereira , foi tema no artigo anterior do Blog do Luiz Cláudio Ferreira Barbosa.

Luiz Cláudio Ferreira Barbosa sociólogo e consultor político 

Fortaleza, 08 de Outubro de 2019



sexta-feira, 4 de outubro de 2019

Alexandre Pereira e o Cidadania (PPS) - O Centro Democrático Fortalezense

O Partido Popular Socialista tem mais de três décadas de atuação na política nacional e local, no atual período da nova república (1985-2019). O Partido Comunista Brasileiro se tornou o PPS, no início dos anos 90. Neste ano o PPS-PCB passou a ser chamado de Cidadania 23. Tornando-se sem dúvida o primeiro partido de centro ou centrista da política brasileira. Qual será o papel do Cidadania-PPS no pleito eleitoral de Fortaleza?

O presidente nacional do Cidadania-PPS, o ex-senador Roberto Freire (PE), sempre manteve a sua agremiação partidária na oposição ao presidente Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), assim como no período lulista-dilmista (2003-2016). No período do ex-presidente Michel Temer (2016-2018) o Cidadania-PPS manteve posicionamento de independente, em relação ao Palácio do Planalto, porém compreendeu a necessidade das medidas saneadoras no erário público da equipe do ex-ministro da Fazenda, o economista Henrique Meirelles, na tentativa desesperada de equilibrar as contas públicas.

O Cidadania-PPS se movimentou no início do governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL), para o centro do espectro ideológico brasileiro. O governador maranhense, Flávio Dino (PC do B) e o cearense e ex-governador, Ciro Gomes (PDT), também fizeram o mesmo movimento, para o centro democrático da política brasileira, num movimento idêntico ao Cidadania-PPS, em detrimento as suas agremiações partidárias. O Podemos do senador Álvaro Dias tem discurso republicano centrista, porém caminha para uma posição de centro-direita, como o Partido Oficial da Lava-Jato (Sérgio Moro). O Podemos e o Cidadania-PPS têm posições idênticas no Congresso (Senado e Câmara), em relação às reformas econômicas: Previdência, Tributária, Pacto Federativo e as Privatizações.

No próximo ano teremos as eleições municipais, em todo território brasileiro. Na cidade de Fortaleza vai ter candidato de centro-direita bem competitivo, com boa chance de ser vencedor ainda no primeiro turno. Eu falo do quase prefeiturável do PROS, o deputado federal Capitão Wagner, da frente partidária oposicionista (PROS-Podemos-PSC) ao prefeito Roberto Cláudio e do grupo político dos irmãos Gomes (Ciro-Cid). Há uma tendência do Democrata secção cearense e o PSDB nacional do governador paulista, o empresário João Doria, a manisfestarem apoio ao Capitão Wagner, no pleito eleitoral de Fortaleza de 2020.

O empresário e presidente estadual do Cidadania-PPS, Alexandre Pereira, mantém o apoio à atual administração municipal de Fortaleza, no campo administrativo e no campo legislativo, isso é fato. Alexandre Pereira tem noção da estratégia do prefeito Roberto Cláudio de somente fazer a indicação do seu candidato a sua própria sucessão na prefeitura de Fortaleza, apenas na véspera do início do período oficial eleitoral. O Partido Democrático Trabalhista secção fortalezense poderá optar por uma candidatura desconhecida da opinião pública, com certeza o Cidadania-PPS vai lançar uma candidatura a prefeito de Fortaleza, no próximo ano (2020).


O Cidadania-PPS deverá tentar ocupar o centro democrático fortalezense, num primeiro momento junto aos principais atores sociais da classe média tradicional, com concorrência direta ao Novo 30 (Geraldo Luciano) na centro-direita. Quanto ao espectro da centro-esquerda será uma concorrência direta, com o quase prefeiturável, Renato Roseno (PSOL), que tem discurso palpável aos eleitores progressistas dos bairros nobres de Fortaleza. Cidadania-PPS não será peão no tabuleiro da sucessão municipal de Fortaleza de 2020.

Luiz Cláudio Ferreira Barbosa sociólogo e consultor político 

Fortaleza, 04 de Outubro de 2019



quinta-feira, 3 de outubro de 2019

Geraldo Luciano e o Novo 30 - A Classe Média Fortalezense

A agremiação partidária o Novo (30) é sem dúvida a grande novidade política-partidária da eleição municipal de Fortaleza de 2020. O eleitorado, liberal fortalezense na área econômica, com certeza deverá marchar bem distante das agremiações partidárias tradicionais. O caso mais recente desse fenômeno é a votação obtida pelo deputado estadual, Heitor Férrer (SD), nos bairros nobres da capital cearense, no pleito eleitoral de 2012, no primeiro turno. 

É preciso entender o motivo da rejeição da classe média fortalezense  por  prefeiturável de perfil populista. Isso é fato histórico já comprovado nas últimas cinco eleições municipais de Fortaleza, com as derrotas dos candidatos popularescos nos bairros nobres de Fortaleza: Moroni Bing Torgan (2000-2004-2008 e 2012) e o Capitão Wagner (2016).  O atual prefeito da capital cearense, o médico Roberto Cláudio (PDT),  teve grande sua vitória entre os eleitores, com os melhores índices de escolaridade e classe econômica, no segundo turno do pleito eleitoral de 2012 e 2016. Fato esse, talvez  por ter a menor rejeição eleitoral nesses segmentos sociais mais abastados de Fortaleza. 

O empresário e pré-candidato a prefeito de Fortaleza, Geraldo Luciano (Novo), tem condição de ocupar a posição de representante natural das pautas sociais da classe média fortalezense, no pleito eleitoral de Fortaleza. Geraldo Luciano não precisa aderir ao discurso moralista do presidente Jair Bolsonaro, mas o mesmo precisa defender o discurso técnico-administrativo e político do ministro da Economia, Paulo Guedes, nas seguintes reformas: Previdência, Tributária e as Privatizações. Já existe um grande eleitorado neoliberal social na sociedade civil fortalezense, com enorme capacidade de impor uma boa votação, para a sua escolha partidária-eleitoral, no primeiro turno do pleito eleitoral de Fortaleza.

O prefeito Roberto Cláudio (PDT) só tem duas alternativas eleitorais bem avaliadas na classe média Fortalezense: senador Cid Gomes e o deputado estadual Salmito Filho. Roberto Cláudio terá muita dificuldade de derrotar a candidatura do Capitão Wagner (PROS), nos bairros periféricos, no pleito eleitoral de Fortaleza, no primeiro turno. O líder pedetista não deverá lançar politicamente nenhum sucessor ao executivo municipal, sem antes verificar se  o mesmo terá uma relativa aceitação popular nas classes médias da capital cearense.

O provável prefeiturável, Geraldo Luciano (Novo), não deve tentar nenhuma excursão aos eleitores mais pobres de Fortaleza. Geraldo Luciano deverá manter a sua aproximação com os eleitores mais ricos da capital cearense. É uma estratégia política-eleitoral simples que foi muito eficiente no pleito eleitoral de 2012, na candidatura da coligação PDT - Cidadania (Heitor Férrer). O Novo (30) tem uma grande possibilidade de fazer a viabilização do seu candidato a prefeito de Fortaleza, com certa antecedência, em relação ao Partido Democrático Trabalhista, no início do próximo ano.


As palestras e os seminários produzidos internamente na agremiação partidária Novo (30), já começam a atrair um grande contigente de simpatizantes, nos bairros nobres de Fortaleza, mais especificamente na Aldeota e Meireles, porém com reflexo no bairro de Fátima e na grande Bezerra de Menezes; assim como a grande Messejana. Deste modo não é muito difícil prever o surgimento do primeiro partido liberal fortalezense. O provável candidato a prefeito de Fortaleza, o deputado estadual Renato Roseno (PSOL), também é o representante da classe média fortalezense, com viés mais favorável as bandeiras de gêneros.

Luiz Cláudio Ferreira Barbosa sociólogo e consultor político 

Fortaleza, 03 de Outubro de 2019