sábado, 7 de janeiro de 2012

Folha de São Paulo - O Brasil tem condições de atingir o padrão de vida europeu em 20 anos? Sim.

EDUARDO FAGNANI

O Brasil tem condições de atingir o padrão de vida europeu em 20 anos?

SIM

Os anos gloriosos

"O brasileiro é um narciso às avessas, que cospe na própria imagem."
Nelson Rodrigues

A melhoria do padrão de vida europeu ocorreu em curto espaço de tempo (1945-1975). Nesses chamados "trinta anos gloriosos", foram firmados pactos entre "capital e trabalho". A reconciliação desses interesses opostos foi sustentada pelas políticas econômicas que visavam crescimento e pleno emprego e pelas instituições do "welfare state".
A questão social passou a ser vista como "direito humano". A "seguridade social" prevaleceu sobre a lógica privada do "seguro".
A economia cresceu a taxas elevadas, melhorando a renda e os padrões de consumo. O gasto social foi ampliado e a cobertura contra riscos sociais básicos tendeu para a universalização.
Os "anos de ouro" coincidiram com a transição demográfica, que reduziu a pressão sobre determinados bens e serviços sociais. O êxito do "welfare state" também decorreu do fato de que ele não serviu apenas aos pobres: a classe média também foi beneficiada.
Em síntese, a Europa combinou boa política econômica e social, em um contexto demográfico favorável.
No Brasil, a Constituição de 1988 construiu as bases de uma boa política social, inspirada nos princípios do "welfare state". Desde então, os indicadores sociais apresentam melhoras. Como exemplo, destaca-se a substancial queda da mortalidade infantil, a universalização do ensino básico e o fato que de mais de 80% dos idosos estão protegidos contra riscos sociais (na América Latina, a média é de 30%).
Todavia, não contamos com uma boa política econômica. É verdade que domamos a inflação. Mas, por mais de 25 anos, optamos por crescer menos e distribuir menos. O PIB teve evolução modesta (média de 2% ao ano) e a renda per capita ficou estagnada.
A partir de 2006, esse quadro começou a mudar. A economia tem crescido mais que o dobro de períodos anteriores, gerando impactos positivos sobre o emprego e a renda. O desemprego é o menor em nove anos. A desigualdade refluiu ligeiramente: a renda dos mais pobres cresceu 50%, ante 12% na renda dos mais ricos (2003-10).
A opção por crescer mais e distribuir mais fez com que o gasto social federal quase duplicasse na última década. O salário mínimo, as transferências sociais e o consumo das famílias cresceram com vigor. A mobilidade social ascendente proporcionou a emergência da chamada "nova classe média".
Segundo o relatório "The World in 2050", mantido o ritmo atual, o PIB per capita do Brasil superará o atual nível das economias europeias por volta de 2050, quando seremos a quarta economia global (atrás de China, Índia e EUA).
Até meados do século, a demografia será aliada. A população crescerá, em média, 0,6% ao ano (ante 3%, na década de 1960). As pressões sobre a educação, por exemplo, serão reduzidas: em 2040, o contingente com até 14 anos somará 22 milhões (hoje, são 48 milhões) Abre-se uma "janela de oportunidade", etapa prévia de "enriquecimento", antes de envelhecer.
Em suma, nos últimos anos passamos a combinar boas políticas sociais e econômicas. Mantido esse rumo, poderemos sim nos aproximar da experiência europeia e alcançar melhores padrões de vida nas próximas décadas. Mas o prazo é questão menor. A direção é mais importante que a velocidade. O fundamental é debater se estamos no caminho certo e ir definindo as barreiras que têm de removidas.
Um futuro glorioso depende da nossa capacidade para enfrentar e superar complexos obstáculos -e de esconjurarmos o nosso "narcisismo às avessas".
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EDUARDO FAGNANI, 56, é professor doutor do Instituto de Economia da Unicamp

Folha de São Paulo - O Brasil tem condições de atingir o padrão de vida europeu em 20 anos? Não.

FLÁVIO COMIM

O Brasil tem condições de atingir o padrão de vida europeu em 20 anos?

NÃO

Apenas ilusão

A imagem do Brasil como sexta economia do mundo é apenas uma ilusão para o cidadão comum.
Somos ainda um país muito desigual, no qual milhões vivem indignamente. Nosso desenvolvimento humano tem andado a passos lentos e, em vez de encararmos os fatos, preferimos uma atitude na linha do "me engana que eu gosto" quando nos deparamos com algumas estatísticas feitas "para inglês ver", com pouca materialidade no dia a dia de milhões de brasileiros.
A sexta economia do mundo produziu em 2011 US$ 2,5 bilhões. No entanto, se dividimos esse valor pela população, encontramos que a renda per capita brasileira é apenas a 77º no ranking mundial, sugerindo que o padrão de vida médio no país ainda é significativamente inferior ao padrão europeu.
A situação piora quando observamos o ranking brasileiro no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), no qual o país cai para a 84º posição. Além disso, a velocidade de crescimento do IDH está caindo desde o início da década passada, chegando agora a 0.69% ao ano.
O país vem ainda acumulando dívidas nos campos da saúde e da educação que impedem avanços mais consistentes no padrão de vida.
Ao olhar para o passado, vemos que o Brasil de 2010 não pode ser comparado, por exemplo, com a França, a Holanda ou a Inglaterra de vinte anos atrás.
Esses países já tinham um nível de renda per capita entre 60% e 80% superior ao brasileiro atual, indicando que vinte anos pode não ser um prazo suficiente para a convergência absoluta entre países.
E o contraste entre a atual renda per capita brasileira, de menos de US$ 13 mil por ano, com os US$ 40 mil recebidos em média pelos ingleses conta apenas uma pequena parte dessa história.
Dado o ainda alto nível de desigualdade da distribuição de renda no Brasil (com um índice de gini de 0.53), vemos que essa renda média pode significar ainda menos para a maioria da população. Os últimos dados do Censo nos mostram que os 10% mais ricos no Brasil têm 42.8% da renda, e os 10% mais pobres têm apenas 1.3%.
Em 1990, França, Holanda e Inglaterra já possuíam um alto nível de escolaridade, medido por anos médios de estudo. Os valores eram respectivamente de 12, 11,1 e 11,7 anos; o valor atual brasileiro é 7,2.
Além de faltarem anos de estudo ao brasileiro, falta, ainda mais, qualidade nesses anos. De fato, o pouco progresso na qualidade da educação brasileira é evidência de um futuro comprometido.
Apesar dos avanços sociais recentes, o Brasil ainda tem 14,6 milhões de analfabetos (9,6% da população acima de 15 anos, em 2010), 30% da sua população ainda sofre algum tipo de insegurança alimentar e 8,5% sobrevive com menos de R$ 70 mensais. Ainda são altas as taxas de brasileiros sem provisão regular de água (17.1%) e sem saneamento (32.9%).
É importante mencionar que a natureza do crescimento econômico brasileiro recente é baseada na produção de commodities, longe das matrizes produtivas do mundo desenvolvido, que são intensivas em ciência, tecnologia e capital.
Para chegar ao padrão europeu, há que se tratar com mais seriedade a questão da ciência, da tecnologia e da educação de qualidade.
Em resumo, o padrão de vida no Brasil ainda é muito mais baixo do que o europeu há vinte anos atrás; os avanços sociais são importantes, mas ainda lentos; e não investimos em educação de qualidade, como outros países que se tornaram desenvolvidos fizeram. A ideia de ter um padrão europeu seduz, mas também pode nos afastar da verdade sobre onde estamos e quem somos.
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FLAVIO COMIM, 45, é professor de economia da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) e da Universidade de Cambridge

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

O consultor Luiz Cláudio Ferreira Barbosa foi entrevistado na FM Câmara Municipal de Fortaleza (93,5).




O consultor político, Luiz Cláudio Ferreira Barbosa, deu uma entrevista para FM Câmara Municipal de Fortaleza (93,5) na tarde dessa sexta - feira (6). Ao Programa do Renato Abreu das 14:00 horas. O tema: Crise da Segurança Pública do Ceará.

Cargo na Mesa abre crise no PT do Senado




Cargo na Mesa abre crise no PT do Senado

A cadeira de vice-presidente do Senado pode ser o estopim para um racha na bancada do PT, na volta das atividades parlamentares em fevereiro. Tudo por causa de um acordo, firmado entre nomes de peso da legenda, que ameaça virar água. A senadora Marta Suplicy (PT-SP), atual ocupante do cargo, não arreda o pé na intenção de permanecer até o fim do ano, quando termina o mandato dela na vice-presidência. No ano passado, contudo, ela havia se comprometido a dividir os dois anos com o líder do governo no Congresso, José Pimentel (PT-CE). Ele agora cobra a promessa. Já Marta tenta se livrar da fatura.
Caciques do partido defendem que a senadora honre o acordo de rodízio acertado no início de 2011. “O acordo que existia era de um ano na vice-presidência. E que Marta renunciaria para elegermos o Pimentel”, afirmou o líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE). Para que Pimentel assuma o posto, Marta terá de renunciar e admitir uma nova eleição — abrindo a possibilidade de candidatos de outros partidos. “A renúncia é uma ação unilateral, se ela não fizer, temos ver o que vamos fazer, mas vamos cobrar o cumprimento do acordo”, assegurou Costa.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Reunião do governador, Cid Gomes, com o comando da Operação Ceará Segurança.

Mercadante diz ver 'sinergia' entre Educação e Ciência

O ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Aloizio Mercadante, falou publicamente pela primeira vez sobre sua transferência para a pasta de Educação, que deve se concretizar na segunda quinzena deste mês. Mercadante deve substituir o ministro Fernando Haddad, que deixará o governo após a conclusão dos primeiros resultados do Sistema de Seleção Unificado (Sisu)  para se candidatar à Prefeitura de São Paulo.



Mercadante foi questionado sobre a mudança ao participar nesta manhã de um programa de rádio da estatal EBC. “Eu tenho visto todas essas informações na imprensa, mas vamos aguardar a reforma ministerial. Eu prometo a você que, se isso acontecer, e é possível que aconteça, eu estarei aqui à disposição e nós poderemos discutir a pasta da Educação.”
Cauteloso, Mercadante afirmou que a nomeação “só vale depois que estiver no Diário Oficial” e lembrou que “quem indica ministro é a presidenta da República”. Ele acrescentou que quem fala sobre a agenda da Educação é o atual ministro Fernando Haddad. “Eu só falo da minha pasta que é Ciência, Tecnologia e Inovação.”
Após o programa, em conversa com os jornalistas, Mercadante falou em “convidar para assistir à posse” a professora Marinalva Imaculada Cuzin, atual coordenadora de educação de Jovens e Adultos da Fundação Municipal para Educação Comunitária (Fumec) de Campinas (SP).


PMDB veta nome de Ciro para vaga de Mercadante

A movimentação do grupo do PSB cearense para emplacar o ex-ministro Ciro Gomes no primeiro escalão do governo Dilma Rousseff já provocou a primeira reação: o PMDB veta a volta de Ciro para um cargo de visibilidade. O nome dele vem sendo citado nos últimos dias para o Ministério de Ciência e Tecnologia, no lugar do ministro Aloizio Mercadante, que será deslocado para a Educação. O PT também disputa o cargo.

Para a cúpula peemedebista, se Dilma decidir pelo retorno de Ciro será uma demonstração clara de desconsideração com o partido e, principalmente, com o vice-presidente da República, Michel Temer (PMDB). Os interlocutores de Temer ressaltaram que ter Ciro na Esplanada dos Ministérios causaria desconforto ao partido depois das críticas que ele fez ao vice-presidente.

O PMDB ainda não digeriu as acusações feitas por Ciro Gomes no período da campanha presidencial. O ex-ministro chegara a afirmar que o partido era um “ajuntamento de assaltantes” e que “Michel Temer era chefe dessa turma”. Ciro também dissera, na ocasião, que “quem manda no PMDB não tem o menor escrúpulo: nem ético, nem republicano, nem compromisso público, nada!”.